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Páginas de estórias e da História

Um blog sobre tudo e mais alguma coisa!

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Guimarães Jazz 2017

Setembro 07, 2017

Pedro Rodrigues

Terá sido há 100 anos que a Original Dixieland Jass Band garantiu um lugar de relevo no capítulo das datas a assinalar, ao realizar aquela que é considerada a primeira gravação de uma música que se passou a chamar jazz. À boleia desse centenário, o Guimarães Jazz desenvolveu uma programação para a sua 26.ª edição - de 8 a 18 de Novembro -, que não se fecha numa mostra revisionista do que tem sido o jazz desde 1917, mas cuja diversidade de propostas é sintomática dos muitos caminhos que se abriram desde esse momento primordial.

Ainda assim, a data terá uma presença real num dos primeiros concertos do festival, Jazz - The Story (dia 9), em que a All Star Orchestra de que fazem parte nomes como Vincent Herring, James Carter e Kenny Davis tentará fazer uma espécie de curso rápido e intensivo do percurso deste género cuja evolução meteórica é uma das marcas fundamentais da História da música popular do século XX. De 1917, Jazz - The Story caminha até ao presente, passando por blues, ragtime, swing, bebop, cool, demorando-se um pouco mais na década de 50 e na emergência de músicos fundamentais como John Coltrane e Miles Davis.

Há também qualquer coisa de olhar histórico no projecto Lovers, que o guitarrista Nels Cline apresenta com a Orquestra de Guimarães no concerto de abertura.

Lovers, lançado em 2016 pela Blue Note, é um mergulho de Cline num cancioneiro dedicado à intimidade e aos arroubos românticos, que vai desde o Great American Songbook de Rodgers e Hart a Arto Lindsay e Sonic Youth, passando por Henry Mancini. Algo de muito especial.

Na diversidade de propostas do festival, destaque ainda para duas actuações de primeira linha em campos completamente díspares. A 16 de Novembro, o saxofonista norueguês Jan Garbarek, nome de proa da ECM e um dos grandes responsáveis pela fixação do som distintivo da editora, lidera o seu grupo habitual (onde encontramos o baixista "português" Yuri Daniel) num curiosíssimo encontro com o virtuoso percussionista indiano Trilok Gurtu.

No dia 11, será a vez do grupo Mostly Other People Do the Killing prestar contas, em formato septeto. Palco para as composições do contrabaixista Matthew Moppa Elliott se entrelaçarem com standards de jazz, numa formação em que pontua um dos músicos mais estimulantes e criativos de hoje, o trompetista Peter Evans. A excentricidade do grupo levaria muitos puristas a arrancar cabelos com a rigorosa revisitação nota por nota de Kind of Blue, o clássico de Miles Davis, no seu Blue lançado em 2014.

Pelo Guimarães Jazz passarão ainda o histórico baterista de free jazz Andrew Cyrille (dia 10), Allison Miller na companhia de gente mui recomendável como Myra Melford e Kirk Knuffle (dia 17), e Darcy James Argue e a sua Secret Society (dia 18) no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor. O Pequeno Auditório receberá ainda VEIN, Rick Margitza, quarteto de Jeff Lederer e Joe Fiedler, Big Band e Ensemble de Cordas da ESMAE, e o projecto de parceria que o festival vem desenvolvendo com a associação Portoa-Jazz (dia 12), num espectáculo que cruza música e teatro e em que aos músicos da casa se juntarão o dramaturgo Jorge Louraço Figueira, a actriz Catarina Lacerca e outros convidados.

 

Texto de Gonçalo Frota para o jornal "PÚBLICO" de 7 de Setembro de 2017.

Cinema: 74.º Festival de Veneza

Setembro 07, 2017

Pedro Rodrigues

"Jennifer Beals, Jennifer Beals...?" Não, não é o Caro Diario (Querido Diário, 1993) com Nanni Moretti "in vespa", mas mora aqui o What a Feeling (sem a voz de Irene Cara) com letra em idioma napolitano. De novo Flashdance (filme em que a actriz Jennifer Beals é protagonista) revela-se decisivo para o cinema italiano... É Ammore e Malavita (concurso): como uma representação teatral popular, misto de canto e fala que faz exibição das emoções do amor, da honra, da traição, a que os irmãos Antonio e Marco Manetti dão forma de filme musical.

O efeito estrepitoso, assegura-se, não foi exclusivo na imprensa italiana. É verdade que não foi um "caso" como, no ano passado, La La Land, mas é melhor do que La La Land, porque há coisas vivas no filme, mesmo se muita gente morre baleada, esburacada, e se há uma versão atordoada da coreografia dos zombies do Thriller, de Michael Jackson - mortos e com sangue, mas mais vivos do que Ryan Gosling e Emma Stone.

Nápoles e Máfia: começa tudo com um passeio ao infame Scampia, conjunto de edifícios de todos os perigos na cidade (sobre ele escreveu Roberto Savíano em Gomorra, ali filmou Matteo Garrone), viagem em que um grupo de americanos procura a "ultimate tourist experience", ser assaltado; por isso cantam e dançam. Na verdade, Ammore e Malavita não começa aí, começa antes, com um funeral, depois de uma ardente e comovida panorâmica sobre a cidade. A câmara entra dentro de um caixão e dá voz ao canto de um boss morto - imagine-se se William Holden começasse a cantar na piscina do início de Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses, 1950)... Mas a sequência com os americanos felizes por terem sido assaltados fixa logo em Ammore e Malavita o orgulho e a ironia dos irmãos Manetti por um património, Nápoles, pelos seus clichés, a sua violência e misérias, pelo seu sangue, pela sua densidade ("uma capital da cultura"). Todo o filme acredita, é o triunfo de Ammore e Malavita: acredita no rock, no r&b e no rap, nas canções, de género azeiteiro, que não são parêntesis na acção mas outras formas de criar narrativa, como comentário, flashback ou progressão, são formas de intensificar a realidade em vez de fugir dela; acredita num happy end em Honolulu, num salto a Nova Iorque, cidade que recebeu, através de Ellis Island, a "malavita" e o espectáculo popular, acredita nos filmes de 007, acredita em heróis e heroínas à maneira de Grease ou do blaxploitation dos 70s. Acredita nas câmaras lentas e acredita em Nápoles. E tem um grupo de actores que faz generosa resistência às resistências.

Condição oposta é a de outro italiano em concurso, Una Famiglia, de Sebastiano Riso. É que embora não seja justo duvidar das intenções do realizador - fazer o ponto da situação e, mais forte até, intervir no debate sobre a adopção em Itália e sobre o conceito de "família" -, envolve a história de um casal que vende os seus filhos (Micaela Ramazzotti e Patrick Bruel) numa densidade masoquista com a qual não sabe evitar a caricatura e aí suspende-se a crença.

The Third Murder, de Hirokasu Kore-eda (concurso), pode ser visto como uma homenagem ao Rashomon (1950), de Kurosawa, filme em que um acontecimento tinha versões, verdades, alternativas. Mas é uma homenagem com intenção: demonstrar que o sistema judicial japonês cria nos seus mecanismos um movimento contrário à descoberta da verdade. "História de tribunal", em que um grupo de advogados defende um criminoso que confessou o seu crime, tem momentos de brilhantismo formal em que o ocaso da verdade, a sua impossibilidade, é uma delicada fantasmagoria. Mas é quase sempre, também, um microclima inundado em música.

Intenções tem Sweet Country, de Warwick Thornton. A personagem de Sam Neil, às tantas, explicita-as quando, depois de um episódio de injustiça e racismo cometido sobre a personagem de aborígene, pergunta: quando é que este país vai acabar de ser assim? Era na Austrália no tempo dos comboys, mas diz o realizador que o "problema aborígene" continua na Austrália de hoje. Com os flashbacksflashforwards que quebram o presente do filme, Warwick Thornton suspende a história numa memória sem "agora", quer fazer dela fluxo, património, transmissão. Há intenções, sim, é claro em cada enquadramento o desacordo e o confronto com a História, mas fora isso não sobra filme.

 

Texto de Vaco Câmara, em Veneza, para o "PÚBLICO" de 7 de Setembro de 2017.

Às portas de mais um ano lectivo!

Setembro 07, 2017

Pedro Rodrigues

Com as férias terminadas há quase um mês e meio, este início de Setembro tem sido completamente de loucos! Todos os anos é assim, o arranque de mais um ano lectivo é sempre vivido a 1000/hora. Professores, assistentes técnicos, operacionais e administrativos têm de dar o seu melhor para que no primeiro dia de aulas tudo esteja operacional.

A todos aqueles que entre amanhã e o próximo dia 13 iniciarem as suas aulas, um excelente ano lectivo!

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